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Inteligência Artificial é tema de destaque no Seminário Mineiro de Biomedicina
Evento ocorreu durante a Feira Expo-Hospital Brasil, em Belo Horizonte (MG)
Publicado em 14/08/2026 - Última modificação em 14/08/2026 às 19h38

(Foto: Assessoria de Comunicação/CRBM-5)
O Seminário Mineiro de Biomedicina, evento integrado à programação da Expo-Hospital Brasil 2026 e realizado pelo Conselho Federal de Biomedicina (CFBM) na última semana, em Belo Horizonte (MG), reuniu dezenas de profissionais para acompanhar a palestra “Dados, inteligência artificial e apoio ao diagnóstico”. O painel foi coordenado pelo Dr. Marcos Caparbo, biomédico e tesoureiro da Comissão de Intervenção do Conselho Regional de Biomedicina – 3ª Região (CRBM-3).
Tópicos como inteligência artificial e análise de dados são cada vez mais crescentes nas profissões da saúde. Na Biomedicina, o tema ganha evidência em habilitações como Bioinformática, Informática em Saúde, Genética, Análises Clínicas e Imagenologia.
“A Biomedicina é, por natureza, uma ciência baseada em dados — sejam eles genômicos, bioquímicos ou de imagem. Trabalhar os dados de forma inteligente nos permite transitar de uma medicina reativa para uma medicina preditiva e personalizada”, afirma o Dr. Marcos Caparbo. Ele acrescenta que, “quando cruzamos grandes volumes de dados (Big Data), conseguimos identificar fatores de risco antes que a doença se manifeste gravemente, otimizando o desfecho clínico do paciente e gerando insights valiosos para a saúde pública e a pesquisa epidemiológica”.
Durante sua exposição no evento, o Dr. Marcos abordou como a transformação digital está remodelando a Biomedicina, com foco especial no diagnóstico por imagem. O objetivo principal foi desmistificar a Inteligência Artificial (IA) entre os participantes, demonstrando que ela não é uma ameaça, mas sim uma ferramenta poderosa de apoio à decisão clínica. Foram apresentados casos práticos de como algoritmos de Machine Learning e Deep Learning estão sendo treinados para identificar padrões complexos em exames — como ressonâncias, tomografias e medicina nuclear —, auxiliando na triagem de casos urgentes e na redução de falsos negativos.
“A IA atua como uma ‘segunda opinião’, garante o especialista. Ele cita a colaboração da ferramenta em áreas que exigem laudos de médicos radiologistas:
- Destacar anomalias sutis: Aponta regiões de interesse na imagem que poderiam passar despercebidas;
- Padronizar análises: Reduz a variabilidade de interpretação entre diferentes profissionais;
- Quantificar dados: Mede volumes de tumores ou lesões de forma automática e precisa, baseando o laudo em métricas exatas, e não apenas em estimativas visuais.
A Inteligência Artificial também pode agilizar processos em diferentes etapas do tratamento. Segundo o palestrante, a agilidade ocorre em todo o fluxo de cuidado: “Na fase diagnóstica, algoritmos podem analisar imagens na fila de espera de um hospital e alertar o médico imediatamente sobre casos críticos, como um AVC ou hemorragia. Na fase de tratamento, a análise de dados permite cruzar o perfil genético do paciente com bancos de dados globais para prever quais medicamentos terão melhor resposta (teranóstica), economizando tempo valioso que seria gasto em tratamentos de tentativa e erro”.
Adaptação à tecnologia
Para o Dr. Marcos, não estamos falando de ficção científica, mas de ferramentas que já operam diariamente em grandes centros de diagnóstico. A IA já está integrada de maneira invisível nos bastidores: aparelhos modernos de ressonância magnética usam a tecnologia para reconstruir imagens com maior nitidez em menos tempo, e sistemas de automação laboratorial utilizam algoritmos para triagem de lâminas hematológicas.
No entanto, o especialista alerta para a importância da regulação, pois lidar com IA na saúde envolve dados sensíveis, exigindo conformidade estrita com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “Eticamente, precisamos garantir que os algoritmos não reproduzam vieses — como treinar uma IA apenas com dados de uma etnia específica — e que o modelo tenha ‘explicabilidade’ (o profissional precisa entender por que a IA sugeriu aquele diagnóstico)”, destacou.
Segundo o Dr. Marcos Caparbo, os Conselhos da área da saúde, entre eles a Biomedicina, estão cada vez mais atentos a essas questões, debatendo resoluções que garantam que a responsabilidade final pelo laudo e pela decisão clínica seja sempre de um profissional humano capacitado. “A IA apoia, mas não assina o laudo”, ressaltou.
Por fim, o palestrante destaca a necessidade de mudar o paradigma do medo da substituição que por vezes ocorre entre os biomédicos. “É comum ouvir que a IA vai substituir os profissionais de saúde, porém, a realidade é que o biomédico que sabe utilizar a IA certamente substituirá aquele que se recusa a adotá-la. A atualização tecnológica contínua é o que garantirá o nosso espaço no mercado”, concluiu.
